O Papel das ONGs na inclusão do deficiente no mercado de trabalho – Relato de Naiara Oliveira

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Meu nome é Naiara Oliveira de Jesus, tenho 21 anos e moro em São Paulo desde que nasci. Quando eu tinha 16 anos, ainda cursando o 2°ano do ensino médio, fiquei grávida, mas não foi um motivo que me fizesse desistir dos meus estudos. Tudo ocorria muito bem, porém, quando completei quatro meses de gestação, meu ginecologista percebeu que eu estava perdendo a audição e me encaminhou para o otorrino. Após a consulta, fui diagnosticada com uma deficiência auditiva condutiva bilateral de grau moderado a severo. Foi uma grande surpresa, pois nunca me dei conta de que tinha desenvolvido uma deficiência.

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Comecei o tratamento ainda grávida, mas depois que ganhei o meu filho, percebi que muitas vezes tinha dificuldade de entender o que as pessoas falavam. Visto que eu ainda estava na escola, conversei com o médico para ver quais métodos poderiam me ajudar. Entre os métodos apresentados pelo médico, optei por usar aparelhos auditivos. Após começar a usar os aparelhos, percebi que eram de grande ajuda, e pensei que poderia retomar a minha vida normalmente.

Enfim decidi arrumar um emprego, mas, devido pela necessidade escondia minha deficiência, achando que se falasse perderia a oportunidade, ao mesmo tempo o medo e a insegurança de não me adaptar ou de as pessoas falarem comigo e eu não entender, tomava conta de mim. Mesmo assim, não abaixei a cabeça, pelo contrário, encarei a situação. Muitas vezes, ninguém percebia a minha deficiência auditiva, os aparelhos me ajudavam muito, recuperavam quase 100% da minha audição. Eu me sentia segura, mas essa segurança acabava quando os meus aparelhos quebravam, o que acontecia muitas vezes, e eu não sabia o que fazer. Por esses motivos eu não conseguia uma estabilidade nos empregos que entrava, e me sentia vulnerável, com vergonha e desistia de continuar.

Então, desisti de tentar arrumar um emprego e comecei a trabalhar como designer de sobrancelhas por conta própria. Com a ajuda de meu marido, comecei a fazer faculdade, mas não consegui termina-la, pois a renda que tínhamos era muito baixa, e tive que trancar a faculdade após um ano. Toda essa situação era muito nova para mim, eu não conhecia muitos recursos e nada sobre pessoas com deficiência, muito menos que havia vagas específicas para essas pessoas. Até que eu conheci uma ONG que me indicaram, o NURAP.

Ao chegar lá fui atendida por um dos funcionários no departamento de inclusão, fui muito bem tratada, e a partir daquele momento, voltei a ter esperança de que iria encontrar um bom emprego, no qual eu pudesse ser eu mesma. Não demorou muito, e consegui uma vaga de Jovem Aprendiz com Deficiência, na área de auxiliar administrativo, para trabalhar em uma multinacional. A princípio, trabalhei em um setor dentro da ONG durante sete meses em treinamento. Nesse meio tempo, eu percebi que minha vida tinha realmente voltado ao normal. Foi o maior período que passei dentro de uma empresa sem pensar em desistir, devido a minha insegurança.

Lá, eu pude conhecer pessoas com as mesmas dificuldades que eu, já não me sentia insegura, não tinha que esconder a minha dificuldade de ouvir com medo de perder o emprego. Todos eram muito pacientes e simpáticos, me tratavam muito bem, além de me incentivarem muito para ser alguém, e nunca desistir dos meus objetivos.

No NURAP eu aprendi que as dificuldades são apenas provas para nos deixar mais fortes e convictos do que realmente queremos. A insegurança que eu sentia quando entrava em um emprego, tendo que esconder a minha deficiência auditiva, não deixava me desenvolver profissionalmente, eu não conseguia mostrar o que sou além da minha dificuldade, desistia antes mesmo de mostrar a minha capacidade. O NURAP e todos os seus colaboradores enxergaram o meu potencial, me fizeram esquecer a minha limitação, e me mostrar onde eu era capaz de chegar.

Hoje sou mais segura do que eu era, já aceitei a limitação que tenho, e encaro isso da seguinte forma: a vida me deu um grande presente, o meu filho, e junto com ele uma barreira que me tornou mais forte, a minha deficiência auditiva, que me fez enxergar o mundo de uma forma diferente. Muitas vezes não damos valor para o que temos, e só vamos valorizar quando o perdemos, e essa perca me fez valorizar cada detalhe da vida. Eu tenho muito a agradecer ao

NURAP e aos seus funcionários, pois através deles eu me encontrei novamente e voltei a ter sonhos, e me enxergar como uma pessoa normal. E pude concluir que não era a minha deficiência que me limitava o meu desenvolvimento, e sim a falta de incentivo e compreensão.

Hoje estou trabalhando num departamento da empresa que me contratou, e sou uma pessoa totalmente diferente da que eu era á oito meses atrás. Estou preparada para dar o meu melhor na minha vida profissional e pessoal, porque não há ninguém que seja incapaz de conseguir chegar onde quer desde que acredite.

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