Desafiando tradição indiana, Príncipe gay cria refúgio para pessoas LGBT em palácio na Índia

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Manvendra Singh Gohil é um representante aparentemente tradicional de seu clã real indiano, usa uma túnica elegantemente colorida representativo dessa casta. Seus dedos são adornados com safiras e diamantes, e todas as suas roupas cerimoniais indicam seu grau de príncipe, dentro da realeza.

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Mas a cara fechada e áspera desaba rapidamente quando ele começa a falar. Sua voz é doce, seus gestos são afeminados e seu discurso, acima de tudo, é muito mais liberal do que a maioria dos membros das antigas famílias reais indianas.

Ele é o único príncipe no país a declarar abertamente que é homossexual, e isso não foi fácil. Desde a puberdade, ele sempre sentiu uma atração pelos homens, mas ninguém à sua volta poderia imaginar ou mesmo conceber essa escolha.

Então, ele se casou com outra princesa, e todos achavam que isso “passaria”. Mas a união não foi sequer consumada e ele se divorciou rapidamente. Foi quando o príncipe se afundou em uma depressão.

 

A transformação do castelo real

Manvendra Singh Gohil finalmente revelou sua homossexualidade há cerca de dez anos. Sua família não admitiu a confissão de sua orientação sexual e publicou uma nota no jornal anunciando que ela não mais o reconhecia como parte da família.

Isso não o impediu de iniciar sua luta pela causa homossexual. Em 2000, mesmo antes de divulgar publicamente sua orientação, ele criou a Lakshya Trust, uma associação que ajuda pessoas gays e com AIDS.

Hoje, Mavendra Singh Gohil, de 52 anos, decidiu ir ainda mais longe: ele converterá seu castelo, herdado de sua família real, em um centro de acolhimento para homossexuais.

O castelo de Manvendra Singh Gohil no campo de Gujarat inicialmente terá como objetivo receber pessoas gays que foram repudiadas e expulsas de casa.

Mudança na legislação

Este tipo de rejeição familiar acontece regularmente na Índia. A homossexualidade está começando a ser tolerada em algumas grandes cidades indianas, mas não nas cidades menores e nas aldeias do país.

O local também servirá como centro de atendimento para pacientes com AIDS e formação profissional. Uma evolução pioneira, enquanto que uma lei indiana de 1861, do período colonial, mas ainda em vigor, castiga com a prisão perpétua qualquer ato homossexual.

Esta lei torna a comunidade LGBT muito vulnerável na Índia. O Tribunal de Recurso de Nova Deli chegou a revogar esta lei em 2009, mas o julgamento foi posteriormente revogado pelo Supremo Tribunal do país em 2013.

Gohil um grande crítico dessa lei colonial que criminaliza as relações sexuais consensuais entre adultos do mesmo sexo. O tribunal disse que iria reconsiderar sua decisão de 2013 de manter a lei. “Derrubar essa lei encorajará mais pessoas a sair e viver suas vidas livremente. Mas também pode significar mais pessoas necessitadas de apoio”, disse Gohil.

Em 2018, Mavendra abriu uma área de 15 acres para ajudar a abrigar pessoas LGBT vulneráveis ​​que, de outra forma, ficariam sem suporte quando suas famílias as rejeitassem depois de se assumirem. O perfil de Gohil ajudou enormemente a comunidade LGBT na Índia, disse Harish Iyer, um ativista dos direitos gays.

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