Maioria dos jovens buscam estágio esse ano, mas é preciso se preparar.

0

Todo ano milhares de empresas pelo Brasil buscam contratar estagiários. São milhares de vagas abertas para estudantes de todas as idades e classes sociais, mas como estar preparado para essa contratação?

seguro de vida para casais homoafetivos

Cerca de 81% dos jovens acreditam que conseguirão estágio este ano, segundo levantamento feito com mais de 37 mil estudantes. Entre os entrevistados, 8% estão estagiando e 11% não acreditam que arranjarão uma vaga do tipo ainda em 2019. Apesar do otimismo, nem sempre é fácil conseguir uma oportunidade. Dependendo da área e do curso, o mercado é restrito e não oferece tantas chances. Em outros casos, até existem portas abertas, mas a concorrência é alta. Segundo o Nurap, instituição que tem como um dos objetivos aproximar estagiários de empresas e facilitar a contratação, é preciso se preparar.

“Jovens acreditam que o simples fato de ir à faculdade garantirá uma boa vaga de estágio, mas não é bem assim que as coisas funcionam. É preciso ter um bom conhecimento, trabalhos em empresas juniores, trabalhos voluntários e até participações em esportes e projetos de arte podem ser diferenciais” – diz Marisa Vidovix, superintendente do Núcleo de Aprendizagem profissional e Assistência Social.

Marisa Vidovix – Superintendente do NURAP.

Outros obstáculos são a falta de qualificação em informática e em idiomas, a dificuldade de se comunicar e, por fim, conflitos entre gerações. Às vezes, os chefes e os colegas com mais idade não são tão abertos a mudanças; enquanto os mais jovens chegam ao mercado querendo fazer tudo do jeito deles — o que acaba gerando atritos, inclusive durante o processo seletivo.

Os conhecimentos insuficientes na própria língua portuguesa também contam pontos negativos nas seleções. “Muitas vezes, os gestores percebem o português como um ponto deficitário dos estudantes nas redações, nas redes sociais e nas entrevistas”, comenta Lilene do Centro de Integração Empresa Escola.

  “O estagiário, muitas vezes, significa a chegada de novas ideias para a empresa”, diz. Já Luiz Gustavo Coppola, superintendente nacional de Atendimento da mesma instituição, observamos que algumas empresas preferem contratar um profissional com pouca ou nenhuma vivência no mundo do trabalho, mas que está disposto a aprender e a colaborar para o cumprimento de tarefas diárias. Ele ainda comenta que não raramente ex-estagiários se tornam chefes pela dedicação no trabalho.

“É comum que esse profissional em formação busque referências dentro da própria organização logo nos primeiros dias, tirando dúvidas com profissionais mais experientes. Cada aprendizado reflete mais confiança para assumir responsabilidades maiores”, percebe. “Com o passar do tempo, pode vir a tão sonhada efetivação e não são raros os casos em que ex-estagiários acabam promovidos a cargos de liderança.”   

Concorrência

      Luisa de Marilac Nascimento Santana, 20 anos, é estudante do 6º semestre de enfermagem no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) e está à procura de um estágio num hospital desde fevereiro de 2018. “Quero começar a colocar em prática tudo o que aprendi. Acho que a prática ajuda muito a identificar erros e melhorar”, afirma. Ela quer começar a atuar e ver como é ser uma enfermeira.   

Experiências

A estudante de direito do 9° semestre do Centro Universitário do Distrito Federal (UDF) Mariana Mayumi Sato, 22 anos, fez dois estágios ao longo da graduação: por um ano, atuou na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e, por dois anos, no Tribunal Regional Federal (TRF). Conseguir as vagas não foi fácil: a universitária se inscreveu em vários sites de estágio e entregou currículos por um bom tempo. “É preciso persistir e continuar tentando: um dia, cada um consegue”, diz.  A jovem conseguiu o primeiro estágio quando estava cursando o segundo semestre na faculdade. Para ela a maior dificuldade para conseguir uma oportunidade na época era a falta de indicação.

“Como eu estava em um semestre muito inicial e não tinha muita experiência, acabava não tendo quem me recomendasse”, comenta. No último estágio, ela ficou o tempo máximo permitido para um contrato do tipo, que terminou recentemente. Agora, Mariana se concentra para fazer a monografia. Segundo ela, no início, os erros são mais comuns, e os chefes nem sempre têm paciência. Para lidar com isso, o importante é estar disposto a aprender. “O estágio dá um norte do que você quer para vida”, acrescenta. “Cada acerto é uma motivação e os erros são oportunidades de mudar e aprender o certo”, comenta.

Melissa Barbosa Paulo Alves, 19, estudante do 5° semestre de direito do UniCeub, estagia no Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) desde julho de 2018. Ela conta que conseguir uma oportunidade é de fato difícil, mas vale a pena correr atrás a fim de colocar em prática aquilo que se estuda. Melissa diz que a falta de conhecimento é, ao mesmo tempo, vantagem e desvantagem do estagiário, pois ele chega pronto para aprender. Em compensação, a falta de experiência é negativa para o empregador. “Quando comecei, eu não sabia o básico de processos do direito: mesmo tirando dúvidas, algumas vezes continuava sem entender.

Esforço X resultado

A psicóloga Lydia Joffily trabalha em um consultório no Centro Empresarial de Brasília e percebe que os jovens têm dificuldade de enxergar a relação entre esforço e resultado, o que pode prejudicá-los tanto nas seleções quanto depois de serem contratados como estagiários. “Antigamente, as pessoas procuravam uma vaga com o objetivo de aprender e ganhar habilidades, independentemente da remuneração e de quando os resultados viriam. Isso porque, para a geração mais antiga, era muito claro que tudo que você planta colhe, mesmo que demore a ver os resultados”, comenta. Ela observa que a nova geração está mais preocupada com a remuneração do que de fato com o que vai aprender.
Para Lydia, boa parte dos jovens foi educada tendo acesso a muitos benefícios, sem precisar ter responsabilidades e isso influencia muito o modo como essas pessoas atuarão na vida e no mercado de trabalho. Por isso, é tão comum que muitos desistam do estágio, pois acabam tendo uma baixa tolerância à frustração e dificuldade de respeitar hierarquias, diz a psicóloga. “Uma dica para os estagiários e futuros estagiários é trabalhar com o objetivo de aprender. A remuneração e os resultados podem até demorar a chegar, mas sempre vêm. Não desistam no primeiro obstáculo ou frustração!”, aconselha.

Falha dos gestores

Apesar dos desafios comportamentais dos jovens, há também outra questão complicada na relação entre contratados e contratantes: o modo como certos empregadores enxergam os estagiários. Para o professor de engenharia de tráfego da Universidade de Brasília (UnB) Paulo César Marques, o maior problema, quando se fala em estágio, não está no jovem, mas, sim, em alguns dirigentes de empresas. Há um desencontro entre as expectativas. “Em lugar do investimento na formação profissional, muitos empresários buscam meramente reduzir o valor da folha de pagamentos, contratando o que enxergam como mão de obra barata, exigindo do estagiário uma carga de tarefas igual a de um empregado comum”, critica. “Portanto, há um número reduzido de oportunidades que tratam o estágio como ele realmente deve ser: uma etapa na formação de profissionais”, comenta.     

O professor ainda ressalta dificuldades enfrentadas por estudantes que se candidatam a esse tipo de vaga. “Por mais contraditório que possa parecer, os obstáculos começam antes de começar o primeiro estágio porque muitas empresas exigem experiência prévia para a contratação e, na maioria dos casos, os candidatos não têm por serem novos nesse mercado.”, comenta. O estágio é uma via de mão dupla: o estudante ganha a chance de acumular experiência, colocar conhecimentos em prática e aprender com profissionais do mercado. Para a empresa, existe a oportunidade de ter um colaborador em formação, que pode ser treinado do jeito dela e que, no futuro, pode ser um trabalhador efetivo lá dentro. Uma dica do professor Paulo César Marques para que os jovens tirem o melhor proveito do estágio é sempre atuar com curiosidade e iniciativa dentro da empresa.

Estagiários de 40 a 50 anos

Apesar de a maior parte dos estagiários serem jovens, porque também o são os estudantes de ensino médio e graduação, os índices de aprendizes com mais idade têm aumentado. Uma pesquisa recente demonstrou que o número de estagiários de 40 anos a 50 anos cresceu cerca de 5% entre 2017 e 2018. Os cursos mais procurados por pessoas nessa faixa etária são pedagogia (57%), direito (11%) e serviço social (4%). O aumento da expectativa de vida do brasileiro, que é de 76 anos, é um dos motivos que estimulam mais pessoas a estudaram numa fase mais avançada da vida.

Estágio como porta de entrada para o jovem

Uma das maiores preocupações dos jovens hoje em dia se relaciona a emprego e renda. É o que concluiu uma pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios com cerca de 37 mil pessoas de 15 a 28 anos: 49,93% dos entrevistados disseram “Me preocupa a perspectiva de emprego e profissão”. Pesquisa de emprego e desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a taxa de desocupados até 29 anos é o dobro da média da população em geral. Uma maneira de driblar essa dificuldade de inserção profissional é justamente o estágio, que funciona como uma porta de entrada para o mercado de trabalho.

Falta de feedback

Uma pesquisa do Ciee revelou que 31% dos jovens sentem falta de um feedback satisfatório do RH das empresas após participarem de um processo seletivo de estágio. Segundo o levantamento, 67% desses estudantes gostariam de saber no que melhorar justamente para se aperfeiçoar após não terem sido aprovados. Os entrevistados relataram que poucas empresas deram retorno, enquanto outras demoraram ou apenas mandaram respostas padrão, que não puderam ser usadas para seu crescimento profissional. 

Como superar a concorrência nas vagas de estágio?

Segundo Anamaíra Spaggiari, diretora executiva da Fundação Estudar, a fim de superar a concorrência e conquistar a tão desejada vaga, é importante se posicionar como o candidato indispensável para aquela empresa. A primeira dica para quem quer encarar essa jornada de processos seletivos é se preparar o máximo possível para todas as etapas. Um importante passo é conhecer a fundo o setor para o qual está se aplicando, usando todas as informações disponíveis no site, como relatório para investidores, o desempenho do setor, matérias em grandes mídias, entre outras fontes, para se preparar.

Principais dúvidas sobre estágio e estagiários

O Nurap responde suas principais questões sobre a Lei do Estágio:

– Ser estagiário é o mesmo que ser empregado? Não. Diferente do colaborador efetivo, o estagiário não pode assumir diversas responsabilidades, já que o objetivo do estágio é acompanhar o desenvolvimento do aluno e prepará-lo para o mercado de trabalho, em parceria com a instituição de ensino.
– Estagiário tem registro em carteira? A Lei do Estágio (Lei nº 11.788/2008) não exige o registro do estagiário em sua CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social), mas a maioria das empresas faz uma anotação na mesma.
– Qual a carga horária máxima do estágio? Para estudantes de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, a carga horária máxima de atividade do estagiário é de 20 horas semanais. Para estudantes do ensino superior, da educação profissional de nível médio e do ensino médio regular, a carga horária é de 30 horas semanais. Para alunos de cursos que alternam períodos de teoria e prática, a carga horária semanal pode ser de até 40 horas semanais.
Quem pode ser contratado como estagiário?Estudantes matriculados e com presença confirmada no ensino regular, em instituições de ensino superior, educação profissional, ensino médio e de educação especial.

Dicas para suas redes sociais

Você sabia que o posicionamento nas redes sociais pode eliminar você de um processo seletivo? Cada vez mais recrutadores checam os perfis dos candidatos antes de contratar. Preste atenção ao que posta:
– Cuidados com as postagens
Pense que todos podem ver o que você anda compartilhando e curtindo, valorize Páginas de causas sociais (não importa a ideologia ) Críticas sociais, denúncias e campanhas que não ofendam indivíduos. Compartilhe aquilo que verdadeiramente te representa como pessoa.

– Não dê espaço para:
Páginas que praticam fake news (não importa de onde venham), Vídeos de conteúdo maldoso ou ofensivo. Páginas/pessoas que ofendem religiões. Postagens de “humor” sobre temas delicados, que envolvam assédio por exemplo. Fotos/vídeos/memes que podem ofender colegas de trabalho

Para saber mais sobre vagas ou como contratar estagiários entre em contato com o Nurap clicando aqui.

Sem comentários

Deixe seu comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *